Localizado
em Tejipió, Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco)
substitui a Decasp. Sede tem 164 servidores, entre delegados, policiais e
escrivães.
Foi inaugurado,
nesta segunda-feira (10), o Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime
Organizado (Draco), criado para substituir a Delegacia de Combate aos Crimescontra
a Administração e Serviços Públicos (Decasp). A sede do novo órgão da Polícia
Civil fica no bairro de Tejipió, na Zona Oeste do Recife. (Veja vídeo acima)
A inauguração do Draco ocorreu um
mês depois da sanção da lei que o criou. Ao todo, 164 servidores,
entre delegados, policiais e escrivães, fazem parte do corpo de funcionários do
Draco. Anteriormente, o nome do departamento não incluía a palavra “corrupção”,
inserida após as críticas por causa da extinção da Decasp.
Na terça-feira (11), começam a
funcionar na nova sede as duas Delegacias de Combate à Corrupção. Até o fim do
ano, a previsão é de que o local também receba a Delegacia de Polícia
Interestadual de Capturas (Polinter) e a Delegacia de Repressão aos Crimes
Cibernéticos.
O Grupo de Operações Especiais
(GOE) e a Delegacia Contra a Ordem Tributária (Deccot) continuam funcionando em
suas respectivas sedes.
Gestora do Draco,
a delegada Sylvana Lellis afirmou que existiam 2.888 procedimentos com a
Decasp. Desses, 2.463 foram entregues ao Ministério Público de Pernambuco por
solicitação do órgão. Outros 220 são da Delegacia de Crimes Contra a
Propriedade Imaterial (Deprim), também extinta pela criação do Draco.
“A Policia Civil é bicentenária, é da sociedade pernambucana, não é de ‘governo
a’ ou ‘governo b’. Temos uma missão e ela será cumprida, é inibir, coibir,
prevenir e reprimir todo o comportamento relacionado ao crime organizado e à
corrupção no nosso estado”, afirma a delegada.
Os policiais que atuam e passarão
a atuar no Draco participam de uma capacitação, prevista legalmente pela
criação do departamento. Segundo o secretário de Defesa Social, Antônio de
Pádua, as capacitações são feitas em conjunto com parceiros.
A possibilidade de a Polícia Civil realizar
capacitações legais com seus parceiros, como a Polícia Federal, a Receita
Federal, o Ministério Público, é uma previsão legal. Já existe um projeto para
dezembro para uma capacitação junto à PF, para os policiais que vão atuar no
Draco”, diz.
Segundo o chefe da Polícia Civil, Joselito Amaral,
além das seis delegacias que compõem o Draco, outras seis delegacias estão
previstas para serem implantadas até 2021.
“A sugestão é que elas funcionem em Goiana [no Grande Recife], em Palmares, Garanhuns e Caruaru [no Agreste] e em Petrolina e Serra Talhada [no Sertão]. Duas serão inauguradas a
cada ano, para que as duas delegacias instaladas no Recife tenham foco na
capital e na Região Metropolitana”, conta Joselito.
Controvérsias
Com 1,6 mil inquéritos no
inventário, a Decasp foi extinta em 7 de novembro,
por lei estadual, para a criação do Draco. O projeto foi enviado pelo governo
do estado à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), em caráter de
urgência. Os deputados aprovaram a
proposta por 30 votos contra 6, de um total de 49
parlamentares. (Veja vídeo acima)
A Justiça havia concedido uma liminar,
em 16 de novembro, mantendo por 45 dias os inquéritos sob responsabilidade da
delegacia extinta, mas a decisão foi derrubada pelo
presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), desembargador Adalberto
de Oliveira Melo, em 21 de novembro.
A delegada Patrícia Domingos, titular da Decasp,
recusou o convite para ser a gestora adjunta do Draco. Em
29 de outubro, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações
Criminosas (Gaeco), também do MPPE, retirou da Decasp
computadores, celulares e documentos. Esse material era da
empresa Casa de Farinha e foi apreendido em 11 de outubro, durante a operação Castelo de Farinha.
Balanço da Decasp
Em quatro anos de
funcionamento, a Decasp foi responsável por 15 operações que resultaram em 49
presos, entre políticos e empresários envolvidos em esquemas de corrupção.
Um dos detidos foi o então
prefeito de Catende,
na Zona da Mata, Otacílio Cordeiro, suspeito de comandar um esquema de lavagem
de dinheiro, desvio de verba e falsificação de documentos. Na época, a Polícia
Civil encontrou R$ 758.437,00 na casa de Cordeiro e no prédio da prefeitura, na
deflagração da Operação Tsunami.
Ao longo das investigações, foi realizada outra operação, dessa vez contra suspeitos de atrapalhar as
investigações da Operação
Tsunami. Na ocasião, foram presos o filho e o sobrinho de Otacílio Cordeiro,
que renunciou ao cargo.
Do G1 Caruaru

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