Seis
parlamentares e dez funcionários da Câmara Municipal de Aliança, na Zona da
Mata Norte de Pernambuco, são investigados pela Operação Anticorrupção II.
Filhos
de dois vereadores de Aliança, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, têm
envolvimento no esquema de funcionários-fantasmas descoberto pela Operação Anticcorrupção II,
realizada na quarta-feira (16), na Câmara Municipal. Segundo a Polícia Civil, a
participação deles não será detalhada para não atrapalhar as investigações.
Durante
entrevista coletiva realizada no Recife, nesta quinta-feira (17), a delegada de
Aliança, Maria de Lourdes Ferreira, informou que os filhos dos vereadores
admitiram que eram servidores comissionados nomeados para atuar para os
parentes.
Ao todo, seis parlamentares e 10
servidores da Câmara Municipal estão sendo investigados. Os
nomes não foram divulgados oficialmente pela polícia.
Maria de
Lourdes disse também que pediu a prisão de envolvidos no esquema, mas teve a
solicitação negada pela Justiça.
Segundo ela,
a presidente da Câmara nomeou os servidores e deixou que eles praticassem os
crimes, que consiste em receber salário sem prestar o serviço público.
"Temos
notícias de que houve acordo político para manter esses comissionados e, por
isso, vamos continuar com as investigações”, afirmou Maria de Lourdes.
A Operação Anticorrupção II cumpriu 12
mandados de busca e apreensão. Foram recolhidos celulares, computadores e
documentos em gabinetes da câmara e em residências, em Aliança, Condado e Itaquitinga, na mesma região
São
investigados crimes como organização criminosa, falsidade ideológica e
peculato, quando o servidor público usa o cargo para obter vantagem.
As investigações
tiveram início em agosto de 2018. A polícia informou, no entanto, que os crimes
eram praticados desde 2017, quando os servidores foram nomeados pela
presidência da Câmara de Vereadores.
“O
total de dinheiro desviado e que deixou de ser investido no município chega a
R$ 457,4 mil. Os servidores-fantasmas atuavam como chefes de gabinete e
auxiliares administrativos”, afirma a delegada.
Durante as
investigações, a polícia ouviu 22 servidores efetivos, 12 servidores
comissionados e dez vereadores.
Ficou comprovado
que três servidores efetivos não iam trabalhar, não estavam lotados em outro
órgão ou sequer tinham entrado de licença.
Um servidor
trabalhava um dia na semana e os demais não atuavam no Legislativo Municipal.
Mesmo assim, quando compareciam, no horário das sessões, alguns não tinham
função pública específica.
Também foi
evidenciado que dos 12 servidores comissionados investigados, dois cumpriam com
a jornada de trabalho determinada.
As
folhas de pagamento e de ponto comprovaram, de acordo com a investigação, que
os salários eram pagos a todos.
A polícia
ressaltou que os servidores não souberam sequer informar as suas atribuições na
Câmara. “Muitos nem sabiam o telefone fixo nem o endereço”, afirmou a delegada.
A
investigação constatou também que os servidores fantasmas recebiam
gratificações de até 100%. “Alguns desses servidores informaram que faziam
serviços particulares para os vereadores, como comprar lanche e remédio ou
dirigir”, acrescentou a policial.
Do G1 PE



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