De
acordo com um relatório da ANA, fissuras nos vertedouros laterais e nas
ombreiras, e a bacia de dissipação da barragem não seriam capazes de sustentar
a vazão de água do rio.
O clima chuvoso que se espera na região
de Surubim,
no Agreste de Pernambuco, chegou. Mas o que poderia significar alívio, na
verdade acendeu um alerta. A dúvida é se a estrutura da barragem de Jucazinho
aguentaria reter uma boa quantidade de água depois de entrar em colapso, em
2016.
Através de nota, o
Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Recursos
Hídricos, informa que o estado possui 442 barragens catalogadas, das quais 283
são de responsabilidade da administração estadual e de órgãos vinculados. As
outras 159 - que contém 59% do volume da água acumulada - são de
responsabilidade do Governo Federal, prefeituras e particulares. Essas
estruturas são acompanhadas regularmente pela Agência Pernambucana de Águas e
Climas (APAC).
A nota fala ainda
que, quando verificada a necessidade de intervenções para a garantia da
segurança e da funcionalidade desses equipamentos, a APAC aciona o empreendedor
responsável para a realização das ações cabíveis, a exemplo do ocorrido com a
Barragem de Jucazinho, em Surubim, no Agreste. Com relação ao cronograma de
fiscalização, a Secretaria de Infraestrutura está reforçando a ação com a
criação de um grupo de trabalho intersetorial, envolvendo secretarias e órgãos
do estado até o mês de junho. O Governo do Estado reforça, ainda, que seguirá
aprimorando o processo de manutenção das represas que são de responsabilidade
estadual.
Dos 327 milhões de
m³ de água que o reservatório pode armazenar, restam pouco mais de 3%. Ou seja,
está quase voltando ao volume morto. Dezenas de peixes mortos se acumulam às
margens da barragem. Uma situação que preocupa tanto quanto a falta de obras no
paredão da barragem.
Jucazinho é o maior
reservatório para abastecimento humano do Agreste, e o terceiro maior de todo o
estado. De acordo com um relatório sobre segurança em barragens, divulgado no
fim de novembro de 2018 pela Agência Nacional de Águas (ANA), problemas
estruturais foram identificados no local.
Conforme consta no documento, entre os problemas
estruturais identificados, foram observadas fissuras nos vertedouros laterais e
nas ombreiras, e a bacia de dissipação não seriam capazes de sustentar a vazão
de água do rio.
A
expectativa dos moradores da região é que as obras sejam concluídas e a
barragem volte a ter segurança para operar. "Que dá medo, dá viu? Do que
jeito que está aí, oferece risco. Agora, no momento, não, porque não está
cheia. Mas com a chegada do inverno, pode ficar pior", disse Zenildo
Cabral, que trabalha há mais de 20 anos em um bar que fica próximo de Jucazinho.
Para o corpo técnico
do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), em um cenário de
rompimento em jucazinho, o estrago poderia ser grande. Caso estivesse com o
reservatório cheio, atingiria comunidades próximas como Xéu, Malhadinha e
Salgadinho, além de que poderia se estender até o Recife.
O relatório da ANA
ainda apontou que o Dnocs não tem um plano de ação de emergência para
o caso de uma possível tragédia e que a situação de risco da barragem já é
conhecida pela diretoria geral desde 2004. Órgãos ligados ao Governo de
Pernambuco também estão cientes da situação.
Do G1 Caruaru

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