Ele era morador da área e foi atingido por disparos vindos do presídio.
Incidente acontece um dia antes da reunião com OEA para explicar tumultos.
Um homem morreu baleado na manhã deste domingo (27) após confusão no Presídio Frei Damião de Bozzano, no Complexo Prisional do Curado, Zona Oeste do Recife. Ele era morador do Alto da Bela Vista e foi atingido por três tiros quando estava no quintal em casa. De acordo com a polícia, testemunhas informaram que os disparos teriam vindo do conjunto de presídios, que fica a cerca de 300 metros do local. Dois reeducandos também foram baleados no tumulto, por volta das 6h deste domingo.
A vítima era profissional autônomo e tinha 32 anos. Inicialmente, ele foi socorrido no Hospital Otávio de Freitas, no bairro do Sancho. Em seguida, foi transferido ao Hospital da Restauração, na área central do Recife, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu na unidade de saúde. Ainda não há informações sobre velório e enterro.
Após o ocorrido, moradores da região fecharam a BR-232 em protesto contra o alto número de rebeliões e motins. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acionada e o trânsito foi liberado às 11h10.
Os dois detentos que ficaram feridos também foram levados ao Hospital Otávio de Freitas. O estado de saúde deles é estável. Ainda segundo a PM, tudo foi controlado antes das 8h e a visita de domingo não precisou ser suspensa.
O delegado Joaquim Braga Neto foi ao local e afirmou acreditar que os tiros vieram mesmo do presídio, mas a Polícia Civil ainda vai investigar quem foram os autores dos disparos. Os detentos feridos também devem prestar depoimento.
Por meio de nota, a Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres) prestou solidariedade à família da vítima. Segundo o comunicado, a confusão começou quando presos começaram a atirar pedras de dentro da unidade, mas o tumulto foi contido. Uma sindicância foi aberta para investigar os fatos.
A comerciante Bruna Silva, de 52 anos, tem um bar na frente do presídio Frei Damião de Bozzano. Ela disse que é constante o número de tiros que saem do sistema prisional. "Como toda semana tem alguma confusão, a polícia sempre atira para cima para tentar controlar. Qualquer briguinha aí dentro eles [os guardas] já começam a atirar. Quem sofre são os moradores que se sentem reféns. Sempre um morador que mora no Alto acaba se ferindo. Um dia ia acontecer uma desgraça e aconteceu, né?!", contou Bruna, que é moradora do local há 20 anos.
No início da tarde, pessoas que aguardavam o horário de visita se juntaram para rezar. A irmã de um dos presos, que não quis se identificar, comentou que essa iniciativa é comum quando tem alguma confusão no sistema prisional. Ela contou ainda que a visita deste domingo será diferente das outras. "Toda vez que tem alguma confusão, por segurança, os guardas não deixam os presos circularem livremente pelo presídio. É limitado até metade, antes da área da enfermaria", completou.
Audiência com a OEA
Este domigo é a véspera da audiência pública do Estado Brasileiro com a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), para explicar justamente a onda de rebeliões no Complexo Prisional do Curado. O secretário de ressocialização de Pernambuco, Pedro Eurico, está a caminho da Costa Rica, onde será realizado o encontro.
Este domigo é a véspera da audiência pública do Estado Brasileiro com a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), para explicar justamente a onda de rebeliões no Complexo Prisional do Curado. O secretário de ressocialização de Pernambuco, Pedro Eurico, está a caminho da Costa Rica, onde será realizado o encontro.
Do G1 Pernambuco


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