quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O mosquito que mata e aterroriza


Se não bastassem os efeitos da terrível seca, a maior dos últimos 50 anos, que se prolonga há quatro anos, provocando um rastro de destruição e uma crise hídrica sem precedentes no Nordeste, as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti estão levando medo, apreensão e até desespero nos rincões sertanejos.
Tudo porque a estrutura de saúde dos hospitais regionais é muito precária. Em Arcoverde, imagens geradas pela TV-Globo, ontem, mostraram um cenário de horror, com homens, mulheres e crianças sendo atendidas no meio da rua, no pátio do hospital e muitas delas deitadas no chão, por falta de leitos.
O drama não está restrito ao hospital de Arcoverde, que já vem há muito sendo apontado como um dos mais precários. Limoeiro, no Agreste Setentrional, a situação é muito mais grave. Ali, não há nem ambulâncias para transportar doentes, que chegam nas emergências levadas em unidades de propriedades de políticos, a maioria vereadores.
Em Santa Cruz do Capibaribe também está instalado o caos. Notícias que chegam de lá é que o hospital regional está lotado de doentes com dengue, chikungunya e até portadores do vírus Zika, responsável pelos casos de microcefalia, que acendeu a luz vermelha, deixou o Governo Federal em pânico e os Estados sem condições de enfrentar uma possível endemia.
Levantamento do Ministério da Saúde aponta a ocorrência de 1.248 casos de microcefalia notificados em 311 municípios de 14 Estados. Até ontem, Pernambuco registrava o maior número de casos (646), sendo o primeiro a identificar o aumento de diagnóstico de microcefalia na região.
Em seguida aparecem os Estados da Paraíba (248), Rio Grande do Norte (79), Sergipe (77), Alagoas (59), Bahia (37), Piauí (36), Ceará (25), Rio de Janeiro (13), Tocantins (12), Maranhão (12), Goiás (2), Mato Grosso do Sul (1) e Distrito Federal (1). A doença não é, entretanto, exclusividade do Brasil nem dos Estados mais pobres no Norte e Nordeste.
Depois de o Brasil confirmar a relação entre o zika e o surto de microcefalia e da Polinésia Francesa divulgar uma suspeita de 17 casos de microcefalia provocados pelo vírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) emitiram alerta informando que nove países americanos já confirmaram casos autóctones – circulação interna – da doença.
Além do Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Suriname e Venezuela têm casos registrados. As notificações colombianas são de outubro. Outros seis países registraram casos em novembro. O comunicado da Opas e da OMS pede que seja estabelecido um diagnóstico da doença e que essas unidades federativas preparem a rede de assistência para um aumento no número de casos, com reforço no atendimento pré-natal e neurológico. Isso inclui o monitoramento de como o vírus tem se espalhado para outras regiões e identificando os fatores de risco associados ao zika.
O documento mostra dados de 2000 e 2010 para evidenciar que, no Brasil, os casos de microcefalia cresceram 20 vezes. E também reconhece, pela primeira vez, a conexão entre o zika e a microcefalia, mencionando inclusive os resultados laboratoriais do Instituto Evandro Chagas, ligado ao Ministério da Saúde.
Em entrevista à BBC Brasil, o diretor do departamento de doenças comunicáveis da Organização Pan-Americana de Saúde, Marcos Espinal, afirmou ainda que não dá para se ter a real dimensão da epidemia. As organizações internacionais pedem, ainda, que as grávidas se previnam para um eventual contato com o mosquito Aedes aegypti.


Blog do Magno Martins 

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